quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Velejar para desenjoar (ou não)

Sábado de manhã fui para Lisboa ter com meu pai e um amigo deste, o Luís, que nos tinha convidado a ambos para um pequena viagem de barco desde a marina de Belém até à marina de Tróia. Começámos por almoçar uma coisa leve, preocupados que estávamos com o possível enjoo, mas não tão preocupados ao ponto de irmos comprar comprimidos, ou gotas, ou mezinhas do género. Mui machos. Fomos no entanto comprar um enorme lanche porque a viajem previa-se longa.

Às 13.45 lá estávamos a abrir o portão da marina e fomos conhecer o Poppy, um Benetau de 7 metros com ar de viajado. Ultimos preparativos a cargo do Luís e arrancámos de seguida às 14.00 em ponto, devagarinho e com o motor ligado. Eu e o meu pai recebemos algumas instruções acerca do funcionamento do Poppy e 5 minutos depois de termos partido já eu ia todo contente agarrado ao leme! Adriças, genoa, bossulas, rumo, a burra, nada disso é segredo para mim! O Luís explicou tudo e eu absorvi tudo com entusiasmo e fiquei com vontade de aprender mais.


É fascinante conseguirmos usar o vento para nosso transporte, o gozo que me dá andar de bicicleta ali é aumentado porque é preciso estar atento a mais pormenores, a profundidade da água, o mapa, o rumo que vamos o vento de onde sopra, desviar das boias, desviar do outros barcos. Exige um controlo e uma harmonização com tudo aquilo que nos rodeia que me trasmitiu uma sensação de paz. E enjoo também!


Assim que saímos do rio Tejo as coisas mudam um pouco, o mar estava com uma ondulação incomodativa e a conversa começou a esmorecer. O tempo passa devagar a bordo e isso nota-se muito quando se está mareado... Depois do meu pai se ter retirado para o interior do veleiro, fiquei eu e o Luís cá fora julgo que aproximadamente duas horas em silêncio, apesar dos esforços do Luís em me distrair com algumas perguntas só conseguia responder em monosilabos. A ultima hora foi como o final de uma maratona, em que duvidamos que vamos acabar e ao mesmo tempo pensamos que seria uma estupidez não chegar ao fim já que chegámos até aqui... E de repente o Luis faz-me sair daquele esturpor e diz-me para olhar o Cabo Espichel, e a partir daí tudo começou a mudar, a beleza daquelas falésias esculpidas pelo mar e pelo vento com o Sol tão fort a iluminar todos os pomenores fizeram-me acalmar o enjoo e senti que tinha conseguido aguentar.

Depois de passar o Espichel tudo muda, fazemos um pouco de surf nas ondas e o mar começa a serenar. O vento aumenta e podemos agora desligar o motor e velejar apenas. Que maravilha!
Até Tróia foi um passeio com muita conversa. Podémos comer finalmente o lanche e apreciar aquilo que nos rodeia. Ainda houve tempo para uma pequena aventura quando tivemos de Rizar um pouco a vela grande porque o vento já era de 25 nós, e aí deu para sentir a força do vento, com o barco a adornar.

Chegamos a Tróia já de noite, num final de tarde morno e muito tranquilo, e atracamos o barco , sentindo-nos já marinheiros de barba rija!

3 comentários:

Rogério Leite disse...

KAKAKAKAKAKAK!!! Uma viagem e já marinheiro de barba rija?!?! E depois de duas horas de enjoo! hahahaha... Mas tirando as "estórias" a parte, passear de barco é mesmo parecido com o prazer que temos ao pedalar... passando pelos carros sem se incomodar com o trânsito, enquanto eles ficam derretendo no sol de 30 graus parados, passo leve a 17 Km/h sem me incomodar... qual barco a fluir pelos mares calmos!

carneiro disse...

O Pedro Alves também faz vela. A blogosfera está a ficar muito chic...

Hugo disse...

AH MÔ, BORA COMPRAR UM VELEIRO!!!!!