Início este blog já com um objectivo em mente: fazer a travessia dos Pirinéus a solo em auto-suficiência. Serão 1000 quilómetros a ser percorridos em 16 etapas com mais de 22 000m de desnível acumulado de subida, carregado com saco-cama, equipamento de cozinha, tenda e muita tralha referente à bicicleta que irei oportunamente colocar num inventario para consulta.
Já tenho um guia e os mapas (La travesía de los Pirineos en BTT por Jordi Laparra, 2006 da Prames) e tenho uma bicicleta nem muito má nem muito boa mas que tenho receio que não aguente e que tem um grande problema: não tem onde encaixar o suporte para os alforges.
Em 2007 fiz a costa atlântica de Portugal com esta bicicleta e com uns alforges mauzitos e uma adaptação em que o suporte para os alforges ficam "entalados" no rosca de aperto da própria roda. Em primeiro lugar este tipo de suporte não é prático de tirar. Caso tenhamos um furo é necessário tirar tudo para fora alforges e suporte para o reparar. Em segundo lugar os alforges para este tipo de suporte (com presilhas e mais presilhas para os manter no sitio) não são nada práticos de tirar ( a maior parte das vezes de facto não os tirei) e não se mantem muito tempo no sitio. Em terceiro lugar o meu velho suporte pesa prai 10 quilos! Por isso desta vez quero comprar um conjunto suporte + alforges que sejam feitos um para o outro, não pesem muito e durem bastante. Quando encontrar vai para a lista de inventário.
Ora como já disse a minha bicicleta não possui os furinhos para encaixar o suporte, por isso das duas uma: ou faço eu os furos (solução portuguesa) ou compro um quadro novo (solução europeia).
Outro problema da minha bicicleta é a suspensão. A minha tem uns bons anos e para alem de nunca ter valido grande coisa não está a bloquear. E acho que seria bem importante uma bela suspensão com tanta descida e subida pra fazer em terrenos bem durinhos por vezes. Mais guito pra gastar.
Vou meter-lhes uns cornos que já tenho para ajudar nas subidas e uns pedais de encaixe de um lado e simples do outro (sei que não vou querer cair em subidas com a bina completamente carregada).
Sei que estaria melhor servido com travões de disco mas o dinheiro não dá para tudo e vou deixar essa opção de lado.
Outra questão premente prende-se com os treinos. Uma coisa destas exige já alguma preparação física, e não podemos meter-nos nisto sem qualquer tipo de preparação. Outra dificuldade advém de ir fazer isto sozinho. Mais bem preparado ainda devo esta para aguentar sem alguém puxar para o mesmo lado. Como tal, e de acordo com a minha experiência de 2007, acho que o mais importante é calejar o cú. Assim mesmo. É muito importante fazer muitos quilómetros e muitas horas em cima da bicicleta para que possamos aguentar 16 dias a pedalar 7 e 8 horas por dia. O cú tem de aguentar! De seguida é preciso treinar a resistência. Temos de habituar as pernas a um esforço continuado senão a meio dos Pirinéus corremos o risco de ter de desistir. Por ultimo temos de treinar a força. Isto é especialmente importante para as subidas mas também para aqueles caminhos mais técnicos. Estou de momento a preparar o treino e vou publicá-lo quando estiver concluído.